terça-feira, 18 de março de 2014

E se pudéssemos inventar nossas próprias histórias?

Créditos da foto: He♥It

Eu e você. Ano 2022. Nossa casa (ou apartamento, tanto faz). Três filhos pequenos. Dia dos pais. A família sairia para almoçar em algum restaurante, depois de uma tentativa frustrada de fazer o almoço em casa (o feijão queimou e o arroz ficou empapado, isso sem falar na carne que não cozinhou direito). O filho mais velho perguntaria sobre como nos conhecemos. Eu diria que te observada na escola, frustrada, pois não sabia sequer o seu nome, e você não me enxergava. Você diria que, sim, me enxergava, mas pensava o mesmo sobre mim. Riríamos disso. Eu contaria sobre o meu primeiro aniversário que passamos juntos e sobre como eu achei maravilhosa a surpresa que você preparou pra mim e, no meio da minha explicação, você me cortaria, contando que eu quase consegui estragar a surpresa. Eu riríamos todos disso também. Eu também contaria sobre as vezes que você costumava sumir, me deixando desesperada... Dias sem dar sinal de vida, com o celular desligado. Mas eu lembraria também que, em momento nenhum passava pela minha cabeça que você pudesse estar fazendo algo escondido de mim, como sair para beber ou até mesmo me trair. Eu me desesperava por acreditar que algo de ruim pudesse ter acontecido a você. Também relembraríamos sobre como foi conhecer nossas respectivas famílias. E, no meio de todas as lembranças e histórias, nossa caçula diria, com a carinha sonhadora, que gostaria de ter e viver um amor como o nosso, um dia. Você forçaria nossos filhos a comerem salada, um deles faria birra, eu falaria pra você não insistir e você diria que eu estou tirando sua moral. Pediríamos sorvete de sobremesa e você faria aviãozinho para cada uma de nossas crianças - e para mim também, mas desviando a colher e colocando-a na própria boca quando eu fosse pegar. Voltaríamos para casa andando, mas antes, pararíamos em uma praça por perto, para fotografar o pôr-do-sol. Você, fazendo careta, e eu ficando brava por você estar estragando as fotos (mesmo no fundo achando o resultado a coisa mais fofa). Tentaríamos por oito vezes tirar uma foto da família inteira, colocando a câmera no timer automático. Finalmente iríamos embora. Nosso primogênito de mãos dadas com você, o do meio em seus ombros e a mais nova adormecida em meus braços. Chegaríamos em casa. Daríamos um bom banho nas crianças e as colocaríamos na cama. Veríamos um pouco de tevê. Brigaríamos pelo controle, mas acabaríamos assistindo algum canal qualquer por um tempo. Decidiríamos de forma muito adulta (pedra papel tesoura) sobre quem limparia a cozinha do almoço frustrado e sobraria pra mim, mas você ficaria com pena e me ajudaria com a bagunça. Nossa vez de tomarmos um banho (juntos) e por fim, nos deitaríamos também. O nosso dia chegaria ao fim. Seus olhos seriam as últimas coisas que eu veria naquele dia e as últimas palavras que sairiam da minha boca seriam “eu te amo”. Eu fecharia os olhos e, antes de adormecer, sentiria os seus lábios em minha testa, como você fazia todas as noites… E o “eu te amo” sussurrado saindo dos seus lábios entraria pelos meus ouvidos e encheria de cor os sonhos que eu já estaria tendo.

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